Setembro amarelo: um mês de conscientização e esperança

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As taxas de suicídios no Brasil e no mundo sempre foram altas, porém alguns fatores da atualidade estão colaborando ainda mais com o aumento de casos. Sabemos que as motivações são variadas, no entanto, o que não sabíamos é que o número de pessoas que já cogitaram este ato, é maior que esperado. De acordo com uma pesquisa da UNICAMP, 17% dos brasileiros já pensaram no suicídio em algum momento. Diante destes números elevados, campanhas de valorização de vida, como o setembro amarelo, são de extrema importância para prevenção a esta prática.

Setembro amarelo 2021

É importante determinar o tamanho do problema, no entanto, é ainda mais importante elaborar estratégias para prevenir este ato. O Setembro Amarelo acontece todo ano, desde 2014 promovido pelo Centro de Valorização à Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). 

A campanha tem como objetivo abordar este assunto, que apesar de delicado, não pode ser tratado como um tabu. Desta forma, é preciso falar e acolher para conseguir prevenir. Esta campanha visa popularizar a discussão do tema, para ajudar a identificar sinais de alerta e incentivar a prevenção.  

Para alcançar bons resultados, a campanha do setembro amarelo, focou seus esforços e investimentos em medidas educativas. Afinal, é preciso compartilhar informações para vencer o medo de falar sobre o tema, derrubar o tabu sobre o assunto. 

Mas afinal, o que leva a pessoa ao suicídio?

Os fatos que antecedem a esse fim, podem decorrer de várias doenças psicológicas, por exemplo, quadros de depressão, bipolaridade e consumo de drogas. No entanto, o suicida não quer por fim a própria vida, ele quer acabar com a dor que sente. 

Várias razões podem levar alguém ao suicídio. No geral, a pessoa está em busca de aliviar pressões externas como culpa, ansiedade, cobranças sociais, remorso, depressão, medo, fracasso, humilhação, etc.

Um grande conflito abala o suicida no momento em que ele pensa na possibilidade de tirar a própria vida. Um sentimento de solidão tão forte que o faz se sentir esquecido, ignorado e desnecessário. Algumas vezes ele deseja revidar ou impor os sentimentos negativos que o abatem. Outras vezes buscam uma fuga para um lugar ou situação melhor. Quase sempre, o objetivo principal é alcançar paz, descanso ou um final imediato aos tormentos que não terminam.

Como interpretar os sinais para prevenir o suicídio?

A pessoa que pensa em se suicidar pode desistir da ideia! Segundo a cartilha do CVV, prevenção e apoio podem evitar 90% dos suicídios no Brasil. Ao receber o apoio emocional no momento de uma crise, estas pessoas podem reverter a situação ao colocar para fora seus sentimentos, ideias e valores, trazendo, assim, sentimentos positivos ao seu estado interior. 

Essa ajuda pode vir de pessoas próximas, ou de voluntárias de ONGs como o CVV, que se dedicam à prevenção do suicídio. O importante é ter em mente que antes da pessoa praticar o suicídio ela pede socorro!

Em meio aos conflitos emocionais a vontade de viver aparece sempre, resistindo ao desejo de se autodestruir. Portanto, quando alguém se disponibiliza a ouvir e ajudar, as pessoas com pensamentos suicidas, entendem os sentimentos fortalece as intenções de viver. E quando você decide ajudar não deve se preocupar com o que vai falar, mas deve se preparar para ouvir.

1. Preste atenção aos sinais

Você pode observar indícios de que a pessoa esta depressiva e isso pode revelar a intenção de cometer o suicídio. Portanto, observe sinais como dificuldade para dormir, desânimo, variações de humor e descaso com a própria saúde e higiene. Torna-se comum a pessoa depressiva cancelar compromissos, se isolar e evitar parentes e amigos. O deprimido busca fugir dos problemas, por isso, às vezes pode ser difícil identificar estes sinais.

2. Não menospreze as circunstâncias 

Um erro determinante, é quando não damos a devida importância a situação da pessoa em depressão. Quando uma pessoa demonstra a intenção de cometer suicídio, não se deve tratar isso como um comportamento dramático, como esta atitude tivesse como único objetivo chamar a atenção. Se a pessoa está dizendo que pensa em se matar, significa que a situação dela é mais grave, do que se imagina. Esse é um fator de risco considerável. Mostrar empatia e oferecer apoio é fundamental, para reverter o cenário.

3. Perceba se a pessoa já tomou a decisão

De toda forma, é importante estar atento, e observar se a pessoa depressiva que apresenta os sinais descritos, mostra uma calma repentina. Basicamente, esta calmaria, pode significar que ela tomou a decisão final. Outro ponto a se observar no comportamento do depressivo, se ele demonstra estar se preparando para este fim, estes preparativos podem ser visitas familiares e amigos, doar os próprios pertences, e também começam a escrever.

4. Mostre que depressão é temporária e tratável

A depressão leva a pessoa a ter uma sensação de que seus problemas são definitivos, e que a depressão não vai passar. Entretanto, a depressão tem cura. Sendo assim, valorizar o tratamento, buscando mostrar que está situação é mais normal do que se imagina é mais efetivo do que tentar dissuadir a pessoa do suicídio. Deixar que ela fale sobre o que está sentindo e a aconselhe sempre a buscar ajuda.

5. Não trate a situação com negação

Negar a existência da depressão minimizando o sentimento da pessoa pode piorar o quadro. Desta forma, falar  frases como “isso é besteira”, “você tem tudo que precisa para ser feliz”, “a sua família que te ama, não seja ingrato” além de não ajudar pode contribuir para o avanço da doença. A pessoa deprimida não consegue enxergar os pontos positivos em sua vida, portanto esta atitude de tentar simplificar a situação não colabora.

É necessário se aproximar da pessoa que precisa de ajuda, mesmo que ela não peça. É importante abandonar o medo de ajudar. Afinal, a pessoa em uma crise suicida, se sente muito só e isolada e quando nos aproximamos, e questionamos se podemos ajudar, este pode ser o ponto de partida para que a pessoa se sinta aberta para desabafar. Nessa hora, alguém com disposição para ajudar e ouvir pode fazer a diferença e salvar vidas.


Colabore com o Setembro Amarelo do CVV,  divulgue a campanha entre os seus amigos e nos ajude a salvar vidas!